Fôlego e experiência: aceleramos o novo Porsche 718 Boxster

Dois cilindros a menos, um turbo e 35 cv a mais. Veja como tudo isso acelera aqui no Brasil

Fotos: Divulgação | Texto: João Anacleto

Você já viu por aqui o quanto amamos o Boxster em todas as gerações, quando andamos com ele na Europa há alguns meses – e por isso o perdoamos ao substituir o espetacular seis-cilindros boxer de 2.7 litros, por um quatro-cilindros boxer de 2 litros equipado com turbo. Passado o frescor da novidade era a hora de nos despirmos de qualquer sentimento fraternal ou carnal e ver como o novo 718 Boxster encara a vida no Brasil.

Mais do que um carro, o modelo é uma homenagem da Porsche à sua própria história. No ano em que completou 20 anos de produção, ele traz o 718 no RG para lembrar os carros de corrida de assombraram o mundo entre 1957 e 1962. Pouca gente acreditava que com apenas 4 cilindros entre os eixos os Porsche 718 seriam capazes de ganhar corridas como a Targa Florio, 24 horas de Le Mans e até chegar à Fórmula-1, o ápice, em 1961. E, claro, também é uma prova que o mundo dos carros esportivos terá de se render à eficiência.

Tudo bem, com dois cilindros a menos ele não ronca como o bom e velho 2.7 aspirado, mas quase chegou lá. Boa parte do desenvolvimento da Porsche esteve nos detalhes do sistema de escape testados para que da sua ponteira de aço inoxidável rugisse como um legítimo filho de Ferdinand. Os ganhos reais vieram nos números. Enquanto o 2.7 rendia 265 cv, este aqui chega a 300 cv, algo respeitável para um versão de entrada. Já o torque subiu geometricamente com a aplicação do turbo, mesmo em um motor menor. Agora são 38,8 mkgf desde tenras 1.950 rpm. Antes eram 28,6 mkgf que só estavam disponíveis a 4.500 rpm.

Porsche 718 Boxster

BOBAGENS ÚTEIS

Seus controles de tração e estabilidade – mesmo sem a parafernália eletrônica mais pesada do PASM, presente apenas no 718 Boxster S – impedem que você castigue os pneus traseiros numa saída rápida.  Aqui uma pressão nos freios e no acelerador ao mesmo tempo ativa o controle de largada e você é estilingado para a frente. Segundo a Porsche, o tempo de 0 a 100 km/h é de 4,9 s, mas com a capota abaixada, envolvido na atmosfera de ruído e vibração que só um boxer trabalhando quase nos seus ombros por proporcionar, parece muito mais rápido.

A representação dessa transformação, aliada ao emagrecimento de 70 kg, é um desempenho geral que o coloca como o melhor da classe, classe essa que tinha o Audi TTS como a referência. Em comparação com o Boxster 2015, é como se você continuasse com seus 40 anos e ganhasse divinamente o fôlego de quando tinha 18. Este Porsche manteve as qualidades de anos de desenvolvimento, com uma direção magnífica e a suspensão que não se intimida nem em pisos constrangedores, e verte reações físicas que só se via nos 911. Mesmo nas insipidez das grandes cidades  salpicadas por congestionamentos, é um carro que não cansa. Fato raro em esportivos desse naipe.

O câmbio PDK de 7 velocidades é outro que alça este Porsche ao estrelato. Não falha, não negocia, não perde tempo com pensamentos alheios à vontade de acelerar. Está melhor a cada atualização. Isso sem falar na posição de dirigir que parece ter sido feita por alguém que lhe conhece muito bem, e por detalhes da vida moderna presentes em um carro que não precisa disso. Há uma central multimídia, apta à conexão com AppleCar Play, e GPS integrado. Bobagens úteis dos novos tempos. Aliás, quem paga R$ 368 mil neste Porsche não deveria se envolver nem um minuto com tecnologia, conectividade, ou qualquer coisa que não saia do seu escapamento, rodas, volante... Com o 718 Boxster, até se perder pelo caminho pode ser um grande negócio. 

Porsche 718 Boxster

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